Festival de Woodstock: tudo sobre o icônico evento

Quem nunca ouviu falar de Woodstock? O festival, realizado em agosto de 1969, foi um dos maiores eventos culturais do século XX e é considerado até um dos maiores eventos da história da música popular.

O motivo é simples: em plena contracultura dos anos 60/70, em que a música era um dos maiores veículos de protesto e uma ferramenta democrática, o festival se tornou o espaço perfeito pra reunir toda essa manifestação

Festival de Woodstock / Créditos: Divulgação


O evento acabou sendo uma reunião histórica de 400 mil pessoas, reunidas pacificamente (em tempos de Guerra Fria e Guerra do Vietnã) em nome da música.

Tudo isso, claro, com shows históricos e muita bagunça. Por isso, se você já se interessava pela história de Woodstock mas nunca leu direitinho sobre, seu momento chegou! 

Hoje vamos contar detalhes sobre como o festival se tornou tudo isso, quem tocou, quem não tocou e mais curiosidades. Vem ver!


Como o Festival de Woodstock foi idealizado


Por quatro jovens de 20 e poucos anos, claro! John Roberts, Artie Kornfield, Joel Rosenman (vice presidente da Capitol Records) e Michael Lang (que já tinha organizado o bem-sucedido Miami Music Festival) estavam procurando oportunidades de investir e ganhar ainda mais dinheiro


A ideia original era de montar um estúdio e refúgio para rockstars na cidade de Woodstock, nos Estados Unidos, onde já moravam músicos como Bob Dylan. 

Assim, se uniram e fundaram a Woodstock Ventures Inc. e, para bancar a ideia original, resolveram organizar um festival de mesmo nome (sim, só para render dinheiro para o estúdio!). A primeira atração confirmada foi ninguém menos que Creedence Clearwater Revival.

Esperando aproximadamente 50 mil pessoas, os quatro homens alugaram um parque industrial em Wallkill, Nova York e começaram a vender ingressos.


Problemas com o local


Aí que as coisas começaram a dar errado: os cidadãos de Wallkill não queriam um festival de música em sua cidade, que seria cheio de “hippies sujos e gente drogada”. 

Assim, faltando pouco mais de um mês para o festival, a cidade conseguiu banir o evento do local.

Se você já organizou um evento (mesmo que tenha sido só uma festinha de aniversário), imagina o pânico que os organizadores devem ter sentido, né?

Lotação próxima ao local do Festival / Créditos: Divulgação


Além de já terem começado a venda dos ingressos, a organização temia perder atrações para o evento porque simplesmente não tinha local definido

A solução veio quando o fazendeiro Max Yasgur ofereceu alugar sua fazenda de quase 300 hectares para o festival, em Bethel, Nova York.

Apesar disso ter resolvido a questão do local, haviam burocracias a ser solucionadas, além de toda a logística de como montar os palcos e a estrutura dentro de uma fazenda. 


Vendeu bem… até demais


Se os organizadores tinham estimado 50 mil pessoas para o evento, aos poucos foi ficando claro que o cálculo estava beeeem longe.

À medida em que os quatro iam estimando novamente, perceberam que eram esperadas em torno de 200 mil pessoas. Ou seja: tinham que trazer mais água, mais comida e os fornecedores já começavam a desistir.

O festival estava marcado para dia 15 de agosto, uma sexta-feira. Na quarta (13), uma multidão avassaladora (de aproximadamente 50 mil pessoas) já começava a acampar em torno da fazenda.

O festival não tinha nem portões ainda para cercar a área, tampouco seguranças. Por isso, ficou bem fácil entrar pela cerca da fazenda e ocupar o espaço do evento.

Incapazes de conter essa multidão e instalar os portões a tempo, os organizadores foram forçados a tornar o festival gratuito — o que implicaria em bastante prejuízo.



Créditos: Divulgação


E aí, pensa: você fica sabendo de um evento incrível desses, com shows sensacionais, completamente gratuito. O que você faz? Chama sua galera e corre pra lá, claro. Ou seja, se o festival já ia comportar muita gente quando era pago, imagina depois que se tornou gratuito.


O que aconteceu no fim de semana do Festival de Woodstock


Apesar de todo o caos, a sexta-feira (15) chegou, dando início ao festival. Os próximos três dias se tornariam completamente inesquecíveis para os organizadores, os fãs, os músicos e a mídia.

Créditos: Divulgação


O público do Festival de Woodstock


Estima-se que quase meio milhão de pessoas tenha passado pelo festival no decorrer dos três dias. Esse número variou, porque não tinha estrutura (comida ou água) pra tanta gente. 

Apesar de tantas pessoas, o evento foi bastante pacífico, em parte porque rolou muita droga psicodélica entre o público e em parte por motivos políticos (em tempos de guerra do Vietnã e no auge do movimento hippie, a filosofia era de paz e amor).

Créditos: Divulgação


Afinal, rolou de tudo: sexo, drogas, rock’n’roll e mais. Dizem que até um parto aconteceu no meio dos shows.

Estima-se que tenham ocorrido algumas mortes também, principalmente devido a problemas de segurança. Afinal, como fiscalizar um evento que teve, repentinamente, a aparição de meio milhão de pessoas?


Quem se apresentou em Woodstock


Foram 32 músicos, entre talentos locais e atrações já bastante consolidadas. E sim, até o line up foi parcialmente improvisado. 

Teve artista que se atrasou por ter sido parado pela polícia na estrada, teve artista que se recusou a tocar, a ordem de shows foi invertida por causa da chuva, etc.

Nada nesse evento saiu como planejado, né? Confere só o line up final do Festival de Woodstock:


Sexta-feira, 15 de agosto 

  • Richie Havens

  • Swami Satchidananda

  • Sweetwater

  • Bert Sommer

  • Tim Hardin

  • Ravi Shankar

  • Melanie

  • Arlo Guthrie

  • Joan Baez

O show de Baez ficou famoso por encerrar o dia debaixo de uma chuva torrencial, que acabou em torno de 2 da manhã.


Sábado, 16 de agosto 

  • Quill

  • Country Joe McDonald

  • Santana

  • John Sebastian

  • Keef Hartley Band

  • The Incredible String Band

  • Canned Heat

  • Mountain

  • Grateful Dead

  • Creedence Clearwater Revival

  • Janis Joplin

  • Sly & the Family Stone

  • The Who

  • Jefferson Airplane


Janis Joplin no Festival de Woodstock / Créditos: Divulgação

Janis Joplin no Festival de Woodstock / Créditos: Divulgação


Domingo, 17 de agosto

  • Joe Cocker e The Grease Band

  • Country Joe and the Fish

  • Ten Years After

  • The Band

  • Johnny Winter 

  • Blood, Sweat & Tears

  • Crosby, Stills, Nash & Young

  • Paul Butterfield Blues Band

  • Sha-Na-Na

  • Jimi Hendrix

Jimi Hendrix no Woodstock / Créditos: Divulgação


Quem recusou o convite


Existem vários rumores de quem foi convidado a apresentar e os possíveis motivos para terem recusado o convite.

Segundo os boatos, os Beatles teriam sido convidados para se apresentar, mas a entrada de John Lennon teria sido barrada nos Estados Unidos. Além disso, a banda não se apresentava ao vivo há 3 anos (e terminaria no ano seguinte, em 1970). 

Já o The Doors chegou a aceitar, mas cancelou sua apresentação achando que não seria uma oportunidade legal para a banda (dizem que se arrependeram!


Segundo o empresário do Led Zeppelin, o grupo recusou porque em Woodstock, seria só mais uma banda

Vários outros artistas teriam sido convidados e não se apresentaram, como Joni Mitchell, Simon And Garfunkel, Chicago, Jethro Tull e The Rolling Stones. 

Uma curiosidade é que o próprio Bob Dylan nunca chegou a negociar seriamente sua apresentação no Woodstock, mas morava nas proximidades do festival e supostamente chegou a ficar incomodado com a quantidade de hippies perto de sua casa. 


O legado do Festival de Woodstock


Bom, você acertou: os quatro empresários tiveram um belo de um prejuízo com o festival. 

No entanto, um documentário foi feito durante o evento e os lucros no cinema cobriram parte do preju – faltaram apenas 100 mil dólares a serem pagos.

Quando tudo passou, talvez os organizadores tenham se dado conta que foram responsáveis por um dos maiores eventos da história da música.

Em 2006, foi fundado o Bethel Woods Center For The Arts no espaço onde Woodstock ocorreu, com um museu dos anos 60 no local. Hoje, o centro também tem um pavilhão onde shows externos são organizados.

Bethel Woods Center For The Arts / Créditos: Divulgação


Mas talvez o maior legado de Woodstock seja simbólico.

No terceiro dia do festival, Max Yasgur, o humilde fazendeiro que ofereceu o espaço para o evento, falou:

Vocês provaram algo para o mundo… o importante que vocês provaram ao mundo é que meio milhão de crianças – e eu os chamo de crianças porque tenho filhos mais velhos que vocês – meio milhão de jovens podem se reunir e ter três dias de diversão e música, e não têm nada além de diversão e música. E que Deus os abençoe por isso!

Por mais que a fala do fazendeiro pareça simples, o mundo vinha se recuperando de uma guerra mundial e reagindo à Guerra Fria, em tempos tensos.

Por isso, dias de paz e música eram bastante simbólicos

Afinal, eram pessoas se amando, se ajudando, dividindo comida e curtindo música, enquanto os Estados Unidos investiam em uma Guerra do Vietnã bastante controversa.


Ano passado, o festival completou 50 anos e seu legado emocional permanece. Desde então, os festivais são cada vez mais grandiosos e bem-estruturados, mas Woodstock é inesquecível justamente por ter demonstrado um ambiente tão amoroso, pacífico e altruísta.

Fonte: Dora Guerra


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